26/08/2015 07h20 - Atualizado em 28/08/2015 10h53
Pesquisador acredita que substância
desenvolvida na USP cura o câncer
'A fosfoamina está aí, à disposição, para quem
quiser curar câncer', diz.
Pacientes entraram na Justiça para obter cápsulas em São Carlos, SP.
Gilberto Chierice coordenou as pesquisas com a fosfoetanolamina
sintética (Foto: Reprodução/EPTV)
Um professor aposentado
da Universidade de São Paulo (USP) acredita
que conseguiu desenvolver uma substância que pode curar o câncer. Gilberto
Orivaldo Chierice coordenou por mais de 20 anos os estudos com a
fosfoetanolamina sintética, que imita uma substância presente no organismo e
sinaliza células cancerosas para a remoção pelo sistema imunológico. “A
fosfoamina está aí, à disposição, para quem quiser curar câncer”, disse o
especialista.
Como
mostrou o G1, a droga era fornecida
gratuitamente em São Carlos, mas uma portaria da universidade
proibiu a distribuição até o registro junto à Agência Nacional de Vigilância
Sanitária (Anvisa) e pacientes que tinham conhecimento dos estudos entraram na
Justiça para obter as cápsulas. Procurada, a Anvisa disse que não identificou
um processo formal para a avaliação do produto em seus registros e que não
houve por parte da instituição de pesquisa nenhuma iniciativa ou atitude
prática no sentido de transformar o produto em um medicamento. Segundo a
agência, para obter o registro, além da requisição, é preciso apresentar
documentos e análises clínicas.
Mas, de acordo
com Chierice, a substância, também conhecida como fosfoamina, não chegou ao
mercado por “má vontade” das autoridades. Ele disse que procurou a Anvisa
quatro vezes e foi informado que faltavam dados clínicos. "Essa é a
alegação de todo mundo. Mas está cheio de remédios neste país que não têm dados
clínicos", desabafou.
Pediu então à
agência um hospital público onde pudesse realizar novos testes - os
pesquisadores afirmam que, nos anos 90, a substância foi testada em um hospital
de Jaú -, mas contou que não obteve retorno. A Anvisa nega que tenha sido
procurada formalmente.
Ação
O professor aposentado explicou que, com a ingestão das cápsulas, as células
cancerosas são mortas e o tumor desaparece entre seis e oito meses de
tratamento. "Mas é evidente que um caso é diferente do outro",
afirmou, reforçando que o período pode variar de acordo com cada sistema
imunológico.
Contou ainda
como a substância age e afirmou que já há outro país interessado em fabricá-la.
“Nós podemos ter que comprar esse medicamento a custo de mercado internacional
porque já está começando a aborrecer ficar todo esse tempo tentando e não
conseguir”, disparou na entrevista, concedida ao repórter Rafael Castro e
reproduzida a seguir.
EPTV - Que substância é essa?
É a combinação de uma substância muito comum, utilizada em muitos xampus de
cabelo, chamada monoetanolamina, e o ácido fosfórico, que é um conservante de
alimentos. A combinação dessas duas substâncias gera uma substância chamada
fosfoetanolamina, que é um marcador de células diferenciadas, que são as
consideradas células cancerosas.
EPTV - Como ela age no organismo?
Essa substância nós mesmos fabricamos dentro das células de músculo longo e no
fígado, no retículo endoplasmático. Então, não podemos chamar de produto
natural porque é sintetizado, mas o seu organismo já fabrica com o mesmo
propósito: defender você durante todo o tempo da sua vida de células que se
diferenciam.
EPTV - Na prática, essa substância reforça a que a gente já tem? Como
ela age na célula cancerosa?
Primeiro, ela passa do trato digestivo para o sistema sanguíneo, vai até o
fígado e forma uma reação junto com o ácido graxo. O que é esse ácido graxo? É
a substância que vai alimentar o tumor. É a energia do tumor. E ela entra junto
com essa substância dentro da célula. Quando ela entra, essa célula está
relativamente parada, ou seja, a organela principal dela, chamada mitocôndria,
está parada. Ela obriga a mitocôndria a trabalhar e, quando ela obriga, ela se
denuncia para o sistema imunológico e a célula é liquidada, é a chamada
apoptose (veja o processo no vídeo abaixo).
EPTV - A
eficácia da substância foi mais evidente em algum tipo de tumor?
Os tumores têm células parecidas no seu mecanismo, chamadas de anaeróbicas.
Células de tumor anaeróbico, todas elas cediam pela ação da fosfoamina.
EPTV - Não houve um tipo de tumor em que a eficácia foi maior?
Não é possível fazer essa medida porque, primeiro, nós não somos médicos. Teria
que ter uma parceria com o médico para ele mostrar a eficácia de cada um. Isso
nunca foi feito.
EPTV - Tem alguma contraindicação? A cápsula tem que ser ingerida antes
de a pessoa fazer quimioterapia?
Não existe “antes” porque ela não funciona como coadjuvante. Se você detona o
sistema imunológico da pessoa, os resultados não são bons porque a ação da
fosfoamina necessita que o sistema imunológico esteja intacto. Se existir uma
quimioterapia que não destrói o sistema imunológico, perfeito, pode ser
combinado.
EPTV - O senhor tem uma ideia de quantas pessoas foram beneficiadas por
essa substância nos últimos 20 anos?
Nos últimos tempos nós fazíamos cerca de 50 mil cápsulas por mês. Isso
equivale, a 60 cada pessoa, a 800 pessoas ou próximo de mil pessoas por mês.
Agora quantas pessoas foram beneficiadas eu não sou capaz de dizer porque
muitas delas, que eram pacientes terminais, estão aí, vivas. Então não sei
dizer quantas pessoas foram curadas.
EPTV - O senhor publicou esse estudo em diversas revistas científicas.
Quantas no total?
Hoje eu suponho que há de nove a dez trabalhos nas melhores revistas de
oncologia do mundo, que são revistas internacionais, junto com o pessoal do
[Instituto] Butantan, e explicam o mecanismo de ação da fosfoamina.
Se não for
possível aqui,
a melhor coisa é outro
país fazer porque beneficiar
pessoas não é por bandeira.
A humanidade precisa
de alguém que faça alguma
coisa para curar os
seus males."
Gilberto Chierice, pesquisador
EPTV - Houve interesse de outro país nessa fórmula. O que pode
acontecer?
Nós podemos ter que comprar esse medicamento a custo de mercado internacional
porque já está começando a aborrecer ficar todo esse tempo tentando e não
conseguir, criam dificuldades que eu não sei explicar. Eu sou um homem de
ciência de 25 anos, eu não sou nenhum amador e, por não ser amador, eu conheço
os trâmites das coisas, como funciona. Se não for possível aqui, a melhor coisa
é outro país fazer porque beneficiar pessoas não é por bandeira. A humanidade
precisa de alguém que faça alguma coisa para curar os seus males.
EPTV - A cura do câncer existe?
Não só pela fosfoamina, deve existir por uma dezena de outras coisas, mas a
fosfoamina está aí, à disposição, para quem quiser curar câncer.
EPTV - E por que a aprovação está demorando tanto? Por que a Anvisa está
demorando tanto para liberar?
A razão é muito simples: eu acho que existe uma má vontade. Porque, se
existisse boa vontade, isso já tinha sido aplicado em hospitais do governo,
como dados experimentais, fase I, fase II, fase III, tudo isso já está pronto.
Agora o que falta é dentro das normas da lei, os dados clínicos, assim me
disseram na Anvisa todo esse tempo. Eu acho que existe uma má vontade.
[A cura do
câncer existe] Não
só pela fosfoamina, deve
existir por uma dezena de
outras coisas, mas a fosfoamina está aí, à disposição, para
quem quiser curar câncer.
Gilberto Chierice, pesquisador
EPTV - E, enquanto essa "má vontade" continuar, muita gente
com a doença, e a cura está mais próxima do que muita gente imagina, não é?
É, eu penso que sim. A cura está bem mais perto. E se dissessem ainda que falta
aprimorar alguma coisa, teria que ser aprimorado daqui para frente, não daqui
para trás. Daqui para trás está tudo pronto.
EPTV - Essa substância é a cura do câncer?
Eu acredito que sim, eu acredito que sim. Não só essa como um monte delas que
poderiam vir de derivados.
Entenda o caso
No dia 17, o G1 mostrou
que pacientes
com câncer brigam na Justiça para que a USP forneça cápsulas de fosfoetanolamina sintética. De acordo com
usuários, familiares e advogados, a substância experimental acumula resultados
satisfatórios no combate à doença, inclusive com relatos de cura, mas não
possui registro junto à Anvisa e, por isso, só está sendo entregue por decisão
judicial.
A droga, cuja
cápsula é produzida por menos de R$ 0,10, levou ao surgimento de discussões na
internet e um morador de Santa Catarina que a distribuía gratuitamente foi
preso. Em entrevista ao G1, Carlos
Kennedy Witthoeft afirmou que está "com a consciência em paz”.
Durante uma
visita a São Carlos (SP), ele contou como conheceu a substância, apontada por
pesquisadores como um tratamento alternativo para o câncer, por que quis doá-la
e o que aconteceu após ser preso e indiciado por falsificação de medicamento.
"Não tem como mensurar o que a gente sentia a cada pessoa que vinha falar
que estava curada", disse.
FONTE:http://g1.globo.com/sp/sao-carlos-regiao/noticia/2015/08/pesquisador-acredita-que-substancia-desenvolvida-na-usp-cura-o-cancer.html
Pesquisador acredita que substância
desenvolvida na USP cura o câncer
'A fosfoamina está aí, à disposição, para quem
quiser curar câncer', diz.
Pacientes entraram na Justiça para obter cápsulas em São Carlos, SP.
O professor aposentado explicou que, com a ingestão das cápsulas, as células cancerosas são mortas e o tumor desaparece entre seis e oito meses de tratamento. "Mas é evidente que um caso é diferente do outro", afirmou, reforçando que o período pode variar de acordo com cada sistema imunológico.
É a combinação de uma substância muito comum, utilizada em muitos xampus de cabelo, chamada monoetanolamina, e o ácido fosfórico, que é um conservante de alimentos. A combinação dessas duas substâncias gera uma substância chamada fosfoetanolamina, que é um marcador de células diferenciadas, que são as consideradas células cancerosas.
Essa substância nós mesmos fabricamos dentro das células de músculo longo e no fígado, no retículo endoplasmático. Então, não podemos chamar de produto natural porque é sintetizado, mas o seu organismo já fabrica com o mesmo propósito: defender você durante todo o tempo da sua vida de células que se diferenciam.
Primeiro, ela passa do trato digestivo para o sistema sanguíneo, vai até o fígado e forma uma reação junto com o ácido graxo. O que é esse ácido graxo? É a substância que vai alimentar o tumor. É a energia do tumor. E ela entra junto com essa substância dentro da célula. Quando ela entra, essa célula está relativamente parada, ou seja, a organela principal dela, chamada mitocôndria, está parada. Ela obriga a mitocôndria a trabalhar e, quando ela obriga, ela se denuncia para o sistema imunológico e a célula é liquidada, é a chamada apoptose (veja o processo no vídeo abaixo).
Os tumores têm células parecidas no seu mecanismo, chamadas de anaeróbicas. Células de tumor anaeróbico, todas elas cediam pela ação da fosfoamina.
Não é possível fazer essa medida porque, primeiro, nós não somos médicos. Teria que ter uma parceria com o médico para ele mostrar a eficácia de cada um. Isso nunca foi feito.
Não existe “antes” porque ela não funciona como coadjuvante. Se você detona o sistema imunológico da pessoa, os resultados não são bons porque a ação da fosfoamina necessita que o sistema imunológico esteja intacto. Se existir uma quimioterapia que não destrói o sistema imunológico, perfeito, pode ser combinado.
Nos últimos tempos nós fazíamos cerca de 50 mil cápsulas por mês. Isso equivale, a 60 cada pessoa, a 800 pessoas ou próximo de mil pessoas por mês. Agora quantas pessoas foram beneficiadas eu não sou capaz de dizer porque muitas delas, que eram pacientes terminais, estão aí, vivas. Então não sei dizer quantas pessoas foram curadas.
Hoje eu suponho que há de nove a dez trabalhos nas melhores revistas de oncologia do mundo, que são revistas internacionais, junto com o pessoal do [Instituto] Butantan, e explicam o mecanismo de ação da fosfoamina.
Nós podemos ter que comprar esse medicamento a custo de mercado internacional porque já está começando a aborrecer ficar todo esse tempo tentando e não conseguir, criam dificuldades que eu não sei explicar. Eu sou um homem de ciência de 25 anos, eu não sou nenhum amador e, por não ser amador, eu conheço os trâmites das coisas, como funciona. Se não for possível aqui, a melhor coisa é outro país fazer porque beneficiar pessoas não é por bandeira. A humanidade precisa de alguém que faça alguma coisa para curar os seus males.
Não só pela fosfoamina, deve existir por uma dezena de outras coisas, mas a fosfoamina está aí, à disposição, para quem quiser curar câncer.
A razão é muito simples: eu acho que existe uma má vontade. Porque, se existisse boa vontade, isso já tinha sido aplicado em hospitais do governo, como dados experimentais, fase I, fase II, fase III, tudo isso já está pronto. Agora o que falta é dentro das normas da lei, os dados clínicos, assim me disseram na Anvisa todo esse tempo. Eu acho que existe uma má vontade.
só pela fosfoamina, deve
existir por uma dezena de
outras coisas, mas a fosfoamina está aí, à disposição, para
quem quiser curar câncer.
É, eu penso que sim. A cura está bem mais perto. E se dissessem ainda que falta aprimorar alguma coisa, teria que ser aprimorado daqui para frente, não daqui para trás. Daqui para trás está tudo pronto.
Eu acredito que sim, eu acredito que sim. Não só essa como um monte delas que poderiam vir de derivados.
No dia 17, o G1 mostrou que pacientes com câncer brigam na Justiça para que a USP forneça cápsulas de fosfoetanolamina sintética. De acordo com usuários, familiares e advogados, a substância experimental acumula resultados satisfatórios no combate à doença, inclusive com relatos de cura, mas não possui registro junto à Anvisa e, por isso, só está sendo entregue por decisão judicial.
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